Get Adobe Flash player
Home Forte Príncipe da Beira

"A soberania e o respeito de Portugal impõem que neste lugar se erga um Forte, e isso é obra e serviço dos homens de El-Rei nosso senhor e, como tal, por mais duro, por mais difícil e por mais trabalhoso que isso dê, (...) é serviço de Portugal. E tem que se cumprir." (D. Luís de Albuquerque de Melo Pereira e Cáceres, Junho de 1776).

 

 

Em posição dominante na fronteira com a Bolívia, a fortaleza é considerada uma das maiores edificadas pela Engenharia Militar portuguesa no Brasil Colonial, fruto da política pombalina de limites com a coroa espanhola na América do Sul, definida pelos tratados firmados entre as duas coroas entre 1750 e 1777.

 

Origem do nome

"Príncipe do Brasil" era então o título do herdeiro ou herdeira da coroa portuguesa, assim como "Príncipe da Beira" era o título do seu primogênito ou primogênita (i.e., privativo dos netos primogênitos sucessores presuntivos na coroa dos Reis de Portugal). Assim, o forte, iniciado em 1776, foi batizado em homenagem a D. José de Bragança, Príncipe do Brasil, que então era ainda apenas Príncipe da Beira, título que manteve brevemente até sua mãe, Maria I de Portugal, subir ao trono no ano seguinte (1777), quando ele próprio passou a Príncipe do Brasil. O Príncipe D. José morreu novo, não chegando a reinar, pelo que lhe sucedeu como Príncipe do Brasil o seu irmão menor, o futuro João VI de Portugal. O Príncipe da Beira, D. José, depois do Brasil, era neto materno de José I de Portugal, e neto paterno de João V de Portugal, avós esses que eram irmãos, pois a rainha D. Maria I foi casada com um seu tio, o rei-consorte Pedro III de Portugal. O Príncipe da Beira, e depois do Brasil, D. José, foi casado, sem geração, com sua tia, a Infanta D. Maria Benedita viúva, irmã mais nova de D. Maria I.

I - Antecedentes

Em 1580 com a união das Coroas de Espanha e Portugal, os portugueses avançaram por cima da linha de Tordesilhas e colonizaram a "América Espanhola".

Ao término da União Ibérica (1640) quando cada país passou a ter o seu monarca, começaram as desavenças até que em 1750 foi assinado o Tratado de Madri, onde Portugal saiu beneficiado. Os espanhóis não conformados, passaram a implantar povoados na margem direita do rio Guaporé. Para conter esses avanços, os portugueses fundaram alguns povoados e num destes locais, na Missão de Santa Rosa Velha, foi instalado um quartel de paliçada. Do lado boliviano os Jesuítas criaram a Missão de Santa Rosa Nova. Antônio Rolim de Moura Tavares, que fora nomeado em 1748 Governador da Província do Mato Grosso, ergueu um fortim com o nome de Nossa Senhora da Conceição. Apesar de resistir vários anos aos ataques dos espanhóis, a metrópole decidiu erguer uma nova fortificação em "pedra e cal" e em local mais elevado devido à vulnerabilidade do fortim às constantes enchentes. Coube a Luís de Albuquerque de Melo Pereira e Cáceres , Governador da Província do Mato Grosso, a iniciativa de construí-lo. Assim, no ano de 1773 realiza-se o reconhecimento no rios Mamoré/Guaporé e em 1774 o local é escolhido. Um sítio elevado e sólido a 2 Km do fortim Nossa Senhora da Conceição. O local recebeu o parecer favorável do engenheiro genovês Domingos Sambocetti, que fora encarregado de preparar a planta do bastião. Em 1775 após examinar as plantas remetidas por Sambocetti, Pereira e Cáceres mesmo sem a aprovação real, dava início à obra.

II Pedra Fundamental

Em 20 de junho de 1776 é lançada a Pedra Fundamental, onde se registra uma ata em Latim:


Ata de lançamento da Pedra Fundamental da Fortaleza em cerimônia realizada no dia 20 de junho de 1776.


"Ano do nascimento do Nosso Senhor Jesus Christo de mil setecentos e setenta e seis anos, aos vinte dias do corrente mez de junho, vindo o Ilmo. e Exmo Sr Luiz de Albuquerque de Mello Pereira e Cáceres a este lugar, situado na Margem Oriental ou Direita do Rio Guaporé, desta Capitania em distância de mil braças pouco mais ou menos da antiga Fortaleza da Conceição; o qual lugar tinha sido approvado pelo mesmo Sr depois de circunspectamente o reconhecer, ouvido a vários Engenheiros, com particularidade ao Ajudante de Infantaria com o dito exercício Domingos Sambocetti, a quem pela sua inteligência, tem cometido a direção principal das obras, para nele se fundar a outra nova Fortaleza que Sua Majestade Ordenou, assim porque está livre de maiores excrescencias do dito Rio, como porque o terreno he naturalmente o mais sólido e o mais acomodado em todos os sentidos que podia desejar-se, ahi por sua Excia. foi pessoalmente lançada a primeira pedra nos Alicerces..."

 

 

III - Abandono

Com a saída de Luís de Albuquerque de Mello e Cáceres da Província do Mato Grosso, os que o sucederam foram deixando o Forte de lado, quase que entregue a própria sorte. Após sua inauguração, com o passar do tempo, foi perdendo a sua importância. A progressiva decadência tornou-se mais acentuada a partir da Independência até acontecer o completo abandono.


Duzentos e vinte e três anos são passados. A velha fortaleza continua de pé como um atestado de lutas, sacrifícios e um baluarte não só de integração do meio hostil, mas de garantia de um grande pedaço Pátrio. Representou nesses decênios, uma verdadeira sentinela deste longínquo torrão brasileiro.

 

 

IV - Redescoberta e ocupação

 

E assim ficou totalmente abandonado, até que o Marechal Rondon, na época Capitão, no ano de 1911 em suas andanças naquela região do Guaporé, redescobriu o velho Forte, totalmente engolfado pela selva, sendo necessário abrir uma picada para se chegar ao seu interior. Em 1930 nova expedição chegou ao Forte e constatou tristemente, que a selva havia tomado conta novamente da velha Fortaleza. Em 1932 é criado o "Contingente Especial de Fronteira de Forte Príncipe da Beira", com o objetivo principal de preservar aquele patrimônio histórico, e o Exército voltou a se fazer presente no local. Em 1954 teve a sua designação mudada para 7º Pelotão de Fronteira; em 1977 para 3º Pelotão Especial de Fronteira e em 1987 para 1º Pelotão Especial de Fronteira, subordinado ao 6º Comando de Fronteira-RO/6º BEF. Atualmente como 1º Pelotão de Fuzileiros na Fronteira, subordinado ao 6º Batalhão de Infantaria de Selva.

 

Transcrição de fragmentos de poesias encontradas impressas nas grossas paredes da prisão no Forte

(respeitada a ortografia da época).

"No dia 18 de abril pela 2 da tarde tremeo a terra em 1882 A Deus ingrata prizão De ti me despesso obriozo Tendo suportado gostozo Em ti a mais dura aflição"

Ass Juvino

"Mato Groço me prendeo A fortaleza me cativou Prezo e cativo estou De quem tanto me favoreceo Grande satisfação tevi Quando em liberdade Agradecer a boa vontade Com que alguns senhores Me fazem seus favores Nesta minha adversidade Neste desterro desgraçado Em que a Corte me lançou Muito agradecido estou A tropa e o povo honrado Neste desterro desgraçado Em que a Corte me lançou Muito agradecido estou A tropa e o povo honrado Agradecido e obrigado As esmolas que me tens feito Capitão Cunha em meu peito O teu nome tenho gravado. E nele será conservado Cá ahonde do Brasil O Reino princepia Província de Mato Groço Assim chamada Nesta abobada imunda inabitada O infeliz Pacheco vive Noite e dia Com groça e comprida Corrente fria Tem seu colar Do pescoço pendurada Com dois mantos Escolhidos e emprestados Pelos maiores Que na terra havia"

Obs: não há registro do destino de Pacheco

 

 

 

 

 

 

Última atualização (Ter, 06 de setembro de 2011 12:37)

 
Revista Digital